Finanças pessoais e Educação financeira qual a diferença?

Há muito tempo se fala em finanças pessoais. A educação financeira é diferente? Ela é considerada ciência exata ou humana?

A abordagem de finanças pessoais contribui para disseminar o uso de planilhas e ensinar a fazer cálculos, mas no fundo esse conhecimento mais exato pouco ajudou na formação das gerações antigas e atuais. Já a educação financeira está embasada em hábitos, costumes, comportamentos construídos ao longo do tempo. Estamos falando em ciências humanas, de algo que lida diretamente com meu dia a dia, aquele consumo que faço de forma errada. Entrando por esse caminho, vemos que o problema começa lá atrás, em crianças que não foram encaminhadas para hábitos baseados em poupança.

 

O que eu ganho com a educação financeira?

Hoje muitos brasileiros, dos mais jovens aos mais velhos, enfrentam problemas financeiros sem entender os motivos e sem saber que têm solução. As pessoas são formadas em um modelo mental orientado primeiro para o consumo e depois “se sobrar invisto”. Claro que não sobra. É comum achar que a solução seja ganhar mais dinheiro. Não é. Não adianta aumentar seu salário se você vai gastar mais. O problema aqui é seu hábito que está defasado. A educação financeira vem para quebrar esses paradigmas e construir novos hábitos. Com ela, você vê que a sustentabilidade financeira está a seu alcance, e que é possível realizar seus sonhos.

 

Por isso é necessário criar bons hábitos no trato com o dinheiro desde cedo?

Sim, quanto mais cedo, menor o esforço. O jovem que está no início de carreira, ou ainda cursa a universidade, pode traçar os objetivos da vida para 30 anos e mais além. O que ele precisa saber é que parte do dinheiro que ganha deverá ser destinada para realizar sonhos. Deve seguir uma metodologia, fazer uma faxina financeira, porque tem hábitos construídos desde os 3 anos de idade. Se começar aos 20 anos, tem chances totais de ser sustentável financeiramente. Se o objetivo é de longo prazo, deve guardar pelo menos 10% do salário. Se morar com os pais e não tiver compromissos, dá para economizar 50%. Só que, cada dia mais, cada ano mais, as dificuldades aumentam, e os compromissos podem proibir a tomada de atitudes mais radicais.

 

Tenho que ser bom em matemática para cuidar de minhas finanças?

Não. A matemática é uma ciência exata que serve para você dominar os números. Esse conhecimento ajuda, mas não resolve. Tanto que vemos mestres e doutores em matemática que são analfabetos em finanças. Para sua educação financeira, você precisa saber as quatro operações básicas. A questão é mudar seu comportamento.

 

Qual o caminho para minha boa educação financeira?

Você, que é jovem, precisa parar, refletir, diagnosticar sua situação atual. Deve estabelecer objetivos de vida, sonhar. O que desejo em curto prazo, em médio prazo, em longo prazo? Quero um dia não ter mais necessidade de trabalhar, o que não significa que eu vá parar. Não preciso mais disso porque criei uma reserva que vai me dar juros mensais, que bancam duas vezes meu custo de vida. Por exemplo, se gasto 3 mil reais por mês, tenho rendimento de 6 mil reais. Então você precisa orçar quanto custam seus sonhos, contemplar despesas e receitas, reduzir excessos. Sem esquecer de curtir sempre, porque você precisa viver sua vida intensamente. Sim, precisa ir para a balada, ter carro, ter casa própria antes de sair da casa dos pais. O próximo passo é poupar. Há vários lugares interessantes onde colocar seu dinheiro. Por exemplo, para curto prazo pode ser a caderneta de poupança. Para médio prazo, há instrumentos como CDB, Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Para acima de 10 anos, podem ser mais adequados o Tesouro Direto e os fundos de previdência privada. Para poupar, o importante é ter um objetivo para cada tipo de investimento. Só conseguimos efetivamente guardar quando temos um propósito.

Bem, esta foi a minha colaboração. Vamos prosseguir em outros artigos.

Lembre-se! Cuide bem do seu dinheiro pois um dia ele cuidará de você.



Fonte: Blog Dinheiro e Futuro
Data: 22/08/2018