Empréstimo e financiamento em 2018, como decidir?

Segundo o Boletim Focus, do Banco Central, divulgado em 19 de janeiro, a expectativa de crescimento do país melhorou para 2018, com aumento de 2,70% do produto interno bruto.

Diante desse cenário, quais as dicas essenciais para que você mantenha suas contas em dia e também possa conquistar as metas pessoais?

Em tempos difíceis e de recuperação da economia como estamos vivendo, é importante manter a guarda e ser o mais prudente possível nos gastos domésticos. Tome cuidado para não aderir às campanhas do marketing de consumo sem antes se perguntar “Eu realmente preciso disso agora?”, e evite contrair dívidas de médio e longo prazo. A indústria e o comércio estão se recuperando lentamente, o que não garante a abertura de um número muito grande de vagas de emprego. Se for indispensável, parcele compras no curto prazo (até um ano), mas dê preferência ao pagamento à vista, com desconto.

Se você está em condição de investir seu dinheiro, parabéns, suas finanças já estão no caminho da sustentabilidade. Só recomendo agir com muita cautela, tanto na renda fixa como na renda variável, que possuem vasto leque de opções, desde uma simples caderneta de poupança até sofisticados investimentos em ações e opções no exterior.

Lembre-se de que para cada tipo de sonho de consumo “financeiro” deverá existir a contrapartida de um esforço de sua parte no sentido de poupar e investir o dinheiro em aplicações e prazos coerentes com esse sonho. Na falta de conhecimento para essa decisão, contate um especialista.

Com a taxa de juros em 7% ao ano, o que é importante levar em consideração caso seja necessário tomar um empréstimo ou financiamento?

Primeiramente temos de fazer uma breve leitura dos sinais mostrados pela queda da taxa de juros, e nos acautelar com nossas decisões de consumo e de investimentos.

Vamos lá: no início de 2017, o governo anunciou medidas que implicavam aumentos de impostos e cortes de investimento em várias áreas da economia, sem falar na elevação de tributos sobre operações de crédito, tanto para pessoa física como para jurídica. Mas a condução competente da equipe econômica permitiu a melhora dos indicadores em relação aos dois anos anteriores de recessão brutal.

A taxa básica de juros da economia oscilou bastante no período: do pico de 14,25% (novembro de 2015), passou para 13,75% (novembro de 2016), até que em dezembro de 2017 o Banco Central derrubou a Selic para 7% ao ano. Sem descartar a possibilidade de pequenas reduções em 2018.

A inflação também deve se manter controlada em 2018. As instituições financeiras projetam variação média de 3,95% no ano.

Esses dois componentes tendem a derrubar as taxas cobradas nos financiamentos ou empréstimos. Mas o número de brasileiros inadimplentes, da ordem de 61 milhões em outubro de 2017, ainda é preocupante. Tome cuidado em assumir compromissos de longo prazo em quaisquer modalidades. A exceção a considerar refere-se somente a bens de valor muito alto, como a casa própria.

Evite sobretudo entrar no cheque especial ou parcelar a fatura do cartão de crédito, que cobram os juros mais altos do mercado e podem levar qualquer um ao superendividamento num piscar de olhos. Na dúvida, antes de comprar, pergunte-se sempre: “Eu realmente preciso disso agora?” Se a resposta for sim, siga o passo a passo:

 

1) Examine seu orçamento nos detalhes e veja qual seria a folga financeira para esse novo compromisso. Ou seja, ele cabe no orçamento? Por quanto tempo? Caso não tenha ainda um orçamento, faça isso antes de assumir qualquer compromisso. Racionalize seus gastos pessoais e familiares, que na média, após um pente-fino, podem apresentar economia de até 30%.

2) Antes de recorrer a instituições financeiras, avalie conseguir o valor com parentes ou amigos. Você pode devolver no prazo combinado com juros maiores que os das aplicações financeiras, porém menores que as taxas bancárias. Mas não vá comprometer o relacionamento com eles por causa de um empréstimo!

3) Se tiver de realizar a operação com bancos, sempre opte por operações com garantias reais, pois as taxas tendem a ser menores. Casa e carro são exemplos comuns.

4) Consulte sempre mais do que uma instituição e opte pela menor taxa efetiva a ser cobrada em cada tipo de empréstimo e financiamento para igual prazo de uso do dinheiro.

5) Você não precisa necessariamente procurar o banco em que recebe a conta-salário. Se for interessante, na contratação faça a portabilidade da conta-salário primeiro e só depois contrate a operação.

No atual cenário, redobre os cuidados para controlar seu orçamento e investir seu dinheiro com sabedoria. Use a cabeça para definir seus objetivos de curto, médio e longo prazo. Essa é uma lição que dará frutos a vida inteira.

JUSIVALDO ALMEIDA
Educador Financeiro e Previdenciário

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Fonte: Admnistração MSD PREV
Data: 22/01/2018